Existem épocas na vida de todo jovem absurdista. Algumas são boas e outras ruins, mas a maior parte delas está numa espécie de meio-termo volátil onde nada faz sentido e tudo fica terrivelmente confuso.

Nesses momentos, sinceramente, parece haver apenas uma coisa a ser feita que é viver e não fazer muitas perguntas, mesmo porque, perguntas são como chaves e não importa quantas você tenha, só uma abre a porta.
Todos sabemos que boa parte do drama humano é confusão, mas o que negligenciamos é que as coisas são, de fato, mais díficeis para os absurdistas pois eles vivem à margem da realidade, num universo relativista, que apenas tangencia a experiência cotidiana do cidadão de bem.
Muitas vezes, nossos discípulos, pupilos e escravos sexuais em geral, nos questionam sobre como reconhecer e diferenciar os absurdistas dos cidadões de bem. A resposta é sempre a mesma. Os absurdistas não vivem no mundo real, eles carregam consigo os anéis do espetáculo.
Todos nós nos lembramos de quando recebemos os nossos. Eu andava pelas ruas, segurando numa das mãos um falafel de peperoni. Um rasgo de luz acinzentado cortou o céu. Fez-se um grande estrondo. E de repente, um anel pairava na minha frente. Eu o toquei com minha mão livre, e ele disse:
“Você tem o dom de instilar grande caos. Bem Vindo à Juventude Absurdista!”
Desnecessário dizer, foi um momento mágico e sim, eu estava drogado.
De qualquer forma, foi uma experiência que mudou minha vida pra sempre e não só porque depois dela eu comecei a poder voar.
O que mudou, foi minha sensação de ser reconhecido. Eu havia sido presenteado pelo universo. E havia recebido esse presente por ser bom em algo. Como o Anel ainda teima em tentar me fazer entender hoje, eu não escolhi essa vida. ELA ME ESCOLHEU.
E isso significa muito.
Os anéis concedem superpoderes aos usuários, a saber:
1-) Os anéis criam artistas e enquanto artistas, fazem dos absurdistas, extremamente glamurosos.
2-) Os anéis distorcem a realidade num raio de três metros, aumentando a chance de que eventos randômicos como a combustão espontânea manifestem-se.
3-) Os anéis traduzem línguas estrangeiras e alienígenas, facilitando a comunicação com quem quer que seja.
4-) Os anéis são dotados de uma Inteligência Artificial muito impressionate, capaz de aconselhar e ensinar os absurdistas. Quando um absurdista refere-se às “vozes dentro de sua cabeça”, ele está falando sobre isso.
5-) E por último, mas não menos importante, eles fazem os absurdistas voarem, flutuarem e planarem.
Pouco se sabe sobre a história do anel. Só se sabe que a Juventude Absurdista é possivelmente uma força cósmica universal, dedicada a polemizar, causar e espalhar a mensagem de Bakulah pelos confins da existência.

Anel Cinza do Espetáculo
As estatístias da Polícia da Realidade, uma instituição supra-nacional vinculada a ONU, insistem em dizer que no momento, nenhum terráqueo tem o anel. Mas a Juventude Absurdista existe também na Terra, e portanto, a verdade fica clara, a Polícia da Realidade mente!
Os anéis podem se ocultar facilmente ficando translúcidos e quase transparentes. Então não é só olhar para os dedos de uma pessoa e reconhecê-la.
Ao invés disso, tente uma das três opções abaixo:
A) Pergunte.
A honestidade é sempre funcional. Aproxime-se do(a) sujeito(a) em questão e comece a questioná-lo sobre ele ser um absurdista e ter um anel. Lembre-se, absurdistas tendem a fugir dos holofotes quando estão a paisana e o ideal é insistir bastante além de qualque dúvida.
B) Ofereça doces estranhos.
Os absurdistas nunca resistem!
C) Frequente Festivais de Apartamento.
É onde eles se congregam mais frequentemente. Inquira sobre as cerimônias de reposicionamento. Demonstre tendências fascistas e cobre ordem. Os absurdistas vão se revoltar e consequentemente sair do armário.
Se nada funcionar atire o suspeito pela janela. Se ele voar, era um bruxo absurdista!